Fósseis marinhos indicam mudanças nos padrões do oceano no século XX

A região nordeste do Oceano Atlântico é de importância crucial para o sistema climático global e os ecossistemas marinhos. Em estudo realizado pela Universidade College de Londres e publicado pela revista Geophysical Research Letters, pesquisadores utilizaram sedimentos do fundo do oceano ao sul da Islândia para reconstruir como esta região mudou ao longo de milhares de anos.



Neste estudo, foi apresentada a primeira evidência de que a circulação oceânica do nordeste do Atlântico no século XX foi incomum em comparação aos últimos 10.000 anos. Essa mudança causou a substituição de águas subpolares e frias por águas subtropicais mais quentes perto da Islândia e impactou a distribuição de organismos marinhos. O aspecto mais marcante do trabalho é a natureza excepcional da mudança no século XX (em contraste com milhares de anos de relativa estabilidade), com implicações para a compreensão de mudanças futuras.


Um sistema de correntes oceânicas rotativas no Atlântico Norte, conhecido como giro subpolar do Atlântico Norte (SPG), conecta águas tropicais e águas frias de alta latitude, desempenhando um papel importante na propagação da água do Atlântico no Ártico e para a formação de habitat para muitos ecossistemas.


Registros instrumentais nas últimas décadas documentam significativa variabilidade na circulação SPG, com alterações hidrográficas e ecológicas associadas. Neste estudo, foram usados registros de sedimentos marinhos para mostrar que houve uma mudança de longo prazo na circulação do SPG durante a era industrial, principalmente durante o século XX. Além disso, foi mostrado que a mudança e a configuração do SPG do final do século XX foram sem precedentes nos últimos 10.000 anos. A dinâmica recente do SPG resultou em uma expansão dos ecossistemas subtropicais para novos habitats e provavelmente também alterou o transporte de calor para altas latitudes.


Dado o importante papel que o SPG desempenha na modificação dos impactos das mudanças climáticas em toda a região, inclusive no Oceano Ártico sensível ao clima e na ecologia economicamente importante, é imperativo que estudos no futuro visem restringir o fator subjacente a essa mudança de dinâmica a longo prazo.

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