Novo recorde de desmatamento na Amazônia



O desmatamento continuou a crescer na Amazônia brasileira no mês passado, segundo dados oficiais divulgados sexta-feira, mostrando que foi o pior maio da série histórica e o pior dos primeiros cinco meses do ano registrados até agora.


Apesar da pandemia, 2020 está a caminho de ser o ano mais destrutivo de todos os tempos para a maior floresta tropical do mundo, com perdas ainda maiores do que em incêndios devastadores que provocaram protestos globais no ano passado.

"Estamos diante de um cenário de catástrofe total para a Amazônia", disse Mariana Napolitano, diretora científica do WWF Brasil, em comunicado.


Um total de 829 quilômetros quadrados na Amazônia brasileira foi perdido para o desmatamento em maio, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse foi um aumento de 12% em relação ao ano passado, e o pior do mês de maio desde o início dos registros, que começou em agosto de 2015.

O desmatamento na Amazônia brasileira está agora em mais de 2.000 quilômetros quadrados até agora este ano, um aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso é ainda mais preocupante, uma vez que os meses mais destrutivos ainda estão por vir - a estação seca, de cerca de junho a outubro, quando os incêndios florestais aceleram o desmatamento causado por madeireiros, mineiros e agricultores ilegais.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) previu nesta semana que 9.000 quilômetros quadrados de floresta desmatada seriam queimados até agosto, potencialmente causando incêndios muito piores que no ano passado, quando 9.169 quilômetros quadrados foram perdidos para o desmatamento de todos os tipos durante todo o ano, segundo o INPE.

"O governo deixou claro seu total desrespeito ao meio ambiente, à floresta e à vida do povo brasileiro", afirmou Cristiane Mazzetti, ativista do Greenpeace. A crise do desmatamento convergiu com a crise do coronavírus no Brasil, o mais recente epicentro da pandemia, com mais de 40.000 mortes até agora.


A emergência de saúde reduziu a capacidade das autoridades ambientais de policiar a floresta e, para piorar, quando a estação de incêndio começa, a fumaça resultante corre o risco de causar um pico em emergências respiratórias em uma região já sobrecarregada por causa do COVID-19.

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