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Descoberto primeiro berçário de tubarão branco pré-histórico na costa da América do Sul



Pesquisadores demonstraram, em artigo publicado no Scientific Reports da revista Nature, que um dos principais predadores nos oceanos de hoje usa áreas de berçário há milhões de anos, destacando sua importância como habitats essenciais para a sobrevivência de tubarões a longo prazo. Apesar do rico registro fóssil do grande tubarão branco moderno (Carcharodon carcharias), seu uso de áreas de berçário através destes registros nunca havia sido feito antes.


Os pesquisadores analisaram o registro fóssil do tubarão branco de três localidades na América do Sul. Foram avaliadas a distribuição do tamanho corporal e aplicados critérios previamente estabelecidos para identificar os chamados paleo-berçários. Constataram que os juvenis dominavam a localidade de Coquimbo (Chile), enquanto subadultos e adultos se concentravam mais em Pisco (Peru) e Caldera (Chile), respectivamente. Esses resultados, somados ao registro paleontológico e paleoambiental da região, sugerem que Coquimbo representa a primeira área de berçário para o tubarão-branco (Carcaharodon carcharias) no registro fóssil.

Geralmente, as áreas de berçário são definidas pelos seguintes critérios:

- há maior abundância relativa de juvenis e neonatos em comparação com outras áreas;

- tubarões imaturos devem mostrar uma tendência a retornar e permanecer por longos períodos de tempo;

- são utilizados por tubarões imaturos ao longo dos anos 1 e 2 de vida;

- e são zonas geograficamente discretas que oferecem dois benefícios principais: proteção contra predação e recursos alimentares abundantes.

Consequentemente, áreas de berçário no passado geológico foram propostas com base nos critérios para espécies modernas, mas adaptadas ao registro fóssil:

(1) Profundidade da água: são habitats de águas rasas, oferecendo aos jovens proteção contra predadores maiores;

(2) Produtividade: são habitats altamente produtivos, fornecendo recursos abundantes e facilitando o crescimento;

(3) Preponderância de indivíduos jovens: eles são fortemente dominados por jovens e recém-nascidos

As áreas de berçários são consideradas cruciais para a recuperação e persistência das populações de tubarões. Mais recentemente, foi demonstrado que essas áreas são de extrema importância para a manutenção de populações reprodutivas sustentáveis. Elas têm efeitos grandes e duradouros no tamanho da população, garantem a sobrevivência das espécies de tubarões e influenciam a distribuição das populações. Além disso, essas áreas também limitam o acesso de tubarões maiores e, portanto, diminuem o risco de predação. Como tal, a identificação de áreas de berçário aumentou significativamente nos últimos anos, em um esforço para mitigar o declínio no número de tubarões resultante de várias atividades humanas e seus impactos.


Em azul, as áreas de berçário existentes de tubarão branco existentes. Em laranja, a área de paleo-berçário (registros fósseis).

Tubarões são muito importantes para o ecossistema marinho, estão no topo da cadeia alimentar oceânica, mas correm grandes riscos pela caça e pelas mudanças climáticas.

Outro problema é na reprodução: o seu crescimento é bastante lento e a reprodução é tardia, além de poucos filhotes para cada casal. Essas descobertas podem ser bastante úteis para ajudar nesse trabalho. Em caso de risco de extinção, adaptar ou incentivar berçários poderia ser uma saída.

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