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Espécie de tubarão ameaçada de extinção pode estar se recuperando no Atol das Rocas


FOTO: ANA LAURA CORRÊA / ARQUIVO PESQUISADORES
FOTO: ANA LAURA CORRÊA / ARQUIVO PESQUISADORES

Highlights

  • Equipe de pesquisadores contou número de tubarões-limão no Atol das Rocas (RN) ao longo de 45 dias, em 2015

  • Mais de 2300 tubarões foram avistados, o dobro do relatado em 2003

  • Dados podem servir para atualizar o status de conservação da espécie na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas


O número de indivíduos do tubarão-limão tem voltado a crescer no Atol das Rocas após declínio populacional reportado no início dos anos 2000. Uma equipe de pesquisadores realizou 462 contagens visuais ao longo de 45 dias e observou a abundância da espécie, o seu comportamento em diferentes estações e as condições de maré na região. Os dados são do Instituto Oceanográfico (IO) e do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e estão publicados na edição de sexta (13) da revista “Ocean and Coastal Research”. A observação da prevalência dos tubarões-limão na Baía Lama, uma Reserva Biológica localizada no Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, ocorreu durante duas expedições no inverno e no verão de 2015, em diferentes pontos das ilhas, horários e tipos de correntes marítimas. Mais de 2300 indivíduos da espécie foram avistados, o dobro do relatado em 2003, sugerindo que houve um crescimento significativo na presença dos tubarões-limão no local. Segundo Ana Laura Tribst Corrêa, autora do estudo e atualmente pesquisadora de projeto vinculado ao CEBIMar-USP, esse aumento pode ter uma origem multifatorial. “Um dos motivos pode ter sido a proibição de um tipo específico de pesca, que consiste na remoção das nadadeiras do tubarão-limão e posterior devolução da carcaça do animal para o mar”, explica. O aumento também pode ter acontecido devido a uma flutuação natural no número de fêmeas em idade de reprodução ou como decorrência da diminuição de trabalhos de pesquisa com métodos invasivos, que assustavam os animais, comuns na região no começo dos anos 2000. O estudo mostra a importância da adoção de métodos não-invasivos de pesquisa, aqueles que não causam incômodos ou perturbações aos animais e ao ambiente. Corrêa destaca que, além de serem mais baratas e simples, essas estratégias ajudam a proteger as espécies marinhas durante estudos sobre ecologia, comportamento e uso de habitat. “Pensando nas ameaças que os tubarões vêm sofrendo devido à sobrepesca, poluição e perda de habitat, é conveniente que escolhamos métodos não-invasivos e, principalmente, não letais, em especial para estudar esses grandes predadores”, conta a pesquisadora. Junto às análises de prevalência da espécie, a investigação mostrou que, embora a quantidade total de indivíduos não tenha se mostrado muito diferente entre as estações do ano, o número de recém-nascidos observados foi maior no verão, período que coincide com a época de nascimento desses animais. Além disso, os tubarões-limão juvenis e recém-nascidos costumam seguir o fluxo da maré para fora da baía, mas podem permanecer por um tempo maior no local quando a maré está baixa, reafirmando o papel de berçário já atribuído por pesquisas anteriores ao Atol das Rocas. Os dados coletados vão servir para que o status de conservação do tubarão-limão seja atualizado e para que novos planos de proteção sejam efetivos. Hoje, devido ao seu declínio nas últimas décadas, a espécie consta como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), que informa sobre a conservação de seres vivos no planeta. “Esses resultados nos dão a esperança de que a população desses animais esteja, possivelmente, aumentando, mas só poderemos afirmar, com certeza, com a continuidade da coleta de dados”, conclui Corrêa.


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