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Estudo aponta cenários para tentarmos acabar com a poluição plástica


"Breaking the Plastic Wave", uma análise global usando modelagem inédita, foi a base para um artigo publicado no último dia 23 de julho na revista Science, que mostra que podemos reduzir os fluxos anuais de plástico no oceano em cerca de 80% nos próximos 20 anos, aplicando soluções e tecnologias existentes. Nenhuma solução única pode atingir esse objetivo; ao contrário, quebramos a onda plástica apenas realizando ações imediatas, ambiciosas e concertadas.


Os resultados da pesquisa destacam a urgência com a qual são necessárias intervenções extensas no sistema. Apesar de uma redução considerável na produção anual de plástico e um aumento na proporção de RSU que são efetivamente gerenciados no melhor cenário de 'Alteração do sistema', uma quantidade substancial de lixo plástico permaneceria mal administrada (ou seja, não coletada e classificada, reciclada ou segura) entre 2016 e 2040. Num cenário em que a implementação das intervenções comece em 2020, a massa cumulativa de poluição plástica adicionada entre 2016 e 2040 é de 250 Mt em sistemas aquáticos e 460 Mt nos sistemas terrestres, aproximadamente 1 e 2 vezes a produção total anual de plástico em 2016, respectivamente. Se a implementação das intervenções for adiada por apenas 5 anos, espera-se que um acumulado adicional de 300 Mt de resíduos plásticos mal gerenciados no ambiente.


A poluição por plásticos é globalmente onipresente. Pode ser encontrada nos oceanos, nos lagos e rios, nos solos e sedimentos, na atmosfera e na biomassa animal. Essa proliferação foi impulsionada pelo rápido crescimento da produção e uso de plásticos, combinada com modelos econômicos lineares que ignoram as externalidades dos resíduos. Um aumento acentuado no consumo de plástico de uso único e uma cultura de "descarte" em expansão exacerbaram o problema. Os sistemas de gerenciamento de resíduos não têm capacidade suficiente em nível global para descartar ou reciclar com segurança os resíduos de plástico, resultando em um aumento inevitável da poluição do plástico no meio ambiente. Estudos anteriores estimaram que aproximadamente 8 milhões de toneladas métricas (Mt) de macroplástico e 1,5 Mt de microplástico primário entram no oceano anualmente.


Foram desenvolvidos cinco cenários para estimar as reduções na poluição por plásticos no período 2016-2040. Os cenários foram definidos por quatro classes de alto nível de intervenções (reduzir, substituir, reciclar, descartar) e oito intervenções no sistema: (i) redução da quantidade de plástico no sistema, (ii) substituição de plásticos por materiais alternativos e sistemas de entrega, (iii) implementação de projeto para reciclagem, (iv) aumento da capacidade de coleta, (v) aumento da capacidade de triagem e reciclagem mecânica, (vi) aumento da capacidade de conversão química, (vii) redução de vazamentos ambientais pós-coleta e (viii) redução do comércio em resíduos de plástico. Os cenários modelados incluem: (i) 'Business as Usual' (BAU), (ii) 'Collect and Dispose', (iii) 'Recycling', (iv) 'Reduce and Substitute' e (v) um 'System Change integrado' cenário que implementou todo o conjunto de intervenções.


Se a produção de plástico e a geração de resíduos continuarem crescendo nas taxas atuais, a massa anual de resíduos mal gerenciados foi projetada para mais do que o dobro até 2050. Apesar da magnitude desses fluxos, a eficácia e os custos econômicos das soluções propostas para solucionar o problema dos resíduos de plástico - a liberação descontrolada de resíduos de plástico no meio ambiente resultante do gerenciamento ineficaz - permanecem desconhecidos.


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