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Microplásticos de pneus carregados pelo vento podem chegar até o Ártico

Nos últimos anos, a poluição marinha, de água doce e terrestre com microplásticos tem sido amplamente discutida, enquanto o transporte atmosférico de microplásticos tem sido amplamente ignorado. Está bem documentado que os rios e o escoamento de água das cidades lançam enormes quantidades dessa poluição no mar, mas, provavelmente, tanto plástico está sendo levado ao oceano por outro meio: o vento.

Em um estudo publicado nesta terça-feira, dia 14 de julho, na revista Nature Comunications, pesquisadores apresentaram simulações globais de transporte atmosférico de partículas microplásticas produzidas pelo tráfego rodoviário, incluindo partículas de desgaste de pneus e partículas de desgaste de freio, importantes fontes que podem ser quantificadas relativamente bem.


De acordo com a pesquisa, quantidades significativas dessas partículas transportadas pelo ar estão também chegando ao Ártico, onde poderiam estar contribuindo para o derretimento do gelo.

Embora os estudos iniciais não tenham constatado que os microplásticos representam uma ameaça à saúde humana, os autores alertaram que são necessárias muito mais pesquisas para entender todo o escopo do problema e seus impactos nos ecossistemas.

As estradas são uma importante fonte de microplásticos


Para modelar como os microplásticos se movem pelo ar, a equipe de pesquisadores concentrou sua atenção em uma fonte relativamente conhecida: as estradas.

O desgaste dos pneus e das pastilhas de freio deixa para trás enormes quantidades desses pequenos pedaços de plástico. Estudos anteriores descobriram que a abrasão de pneus é uma das fontes mais significativas globalmente de microplásticos nos ecossistemas aquáticos e é responsável por cerca de 30% de todas as partículas microplásticas em nossos oceanos.


É também uma das poucas fontes de microplásticos para as quais os pesquisadores podem estimar as emissões globais, já que sabe-se de forma relativamente precisa a quantidade de plástico usada em um pneu e a quantidade durante a vida útil de um pneu.

Globalmente, os pesquisadores estimaram que mais de 3 milhões de toneladas de microplásticos são produzidos a partir do desgaste de pneus e freios. Foram usados dois modelos diferentes para calcular a distribuição desta produção em diferentes regiões do mundo e descobriram que a maioria das partículas é emitida no leste dos Estados Unidos, norte da Europa, grandes cidades chinesas e partes densas do Oriente Médio e da América Latina.


Depois de estimar quanto desses plásticos estão sendo gerados em todo o mundo, os pesquisadores usaram um modelo de dispersão para determinar para onde as partículas vão a seguir. Descobriram que partículas maiores - com cerca de um quinto do diâmetro de um cabelo humano - podem flutuar no ar por cinco a 11 dias, mas geralmente são depositadas perto do local onde foram produzidas. Partículas menores, no entanto, podem flutuar no vento por muito mais tempo e costumam percorrer grandes distâncias. Desses plásticos de pneus menores, aproximadamente 57% chegam ao oceano, o que os torna um dos principais contribuintes dos microplásticos oceânicos.

Mas nem todos os microplásticos transportados pelo ar chegam ao oceano.

Quantidades significativas dessas minúsculas partículas, segundo o estudo, também caem nas superfícies de neve e gelo, inclusive no Ártico.

Desde meados da década de 90, o Ártico aqueceu a uma taxa superior ao dobro da média global. A cobertura de gelo marinho da região também está encolhendo e o imenso manto de gelo da Groenlândia sofreu um derretimento quase recorde em 2019.

Estudos anteriores descobriram que partículas de fuligem escura que pousam na neve e no gelo podem escurecer a superfície, aumentando a quantidade de energia térmica absorvida pelo gelo e, por sua vez, acelerando o derretimento.

E como partículas microplásticas escuras aterrissam no Ártico, elas também podem estar contribuindo para o derretimento, segundo os pesquisadores, que ainda alertaram, no entanto, que os efeitos desses depósitos no gelo precisam ser mais estudados.

https://www.nature.com/articles/s41467-020-17201-9

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